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Consórcio e financiamento

13,4 milhões no consórcio: por que o brasileiro está trocando o juro pelo planejamento

Por que o consórcio bate recordes como alternativa ao financiamento e o que isso muda para quem quer comprar imóvel.

Stoia Assessoria Financeira 6 min de leitura
Capa do artigo da Stoia sobre o recorde de 13,4 milhões de participantes em consórcio no Brasil

O Brasil nunca teve tanta gente num consórcio. Em julho de 2026, o Sistema de Consórcios chegou a 13,41 milhões de participantes ativos, novo recorde histórico, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).

O número não surgiu do nada. Ele cresce mês após mês há mais de quatro anos, e o segmento que mais acelerou em 2026 foi justamente o de imóveis. Neste artigo, a gente mostra os dados, explica o que está por trás deles e, principalmente, ajuda tu a entender quando o consórcio faz sentido no lugar do financiamento (e quando não faz).

Os números do recorde

Em janeiro de 2022, o Brasil tinha 8,21 milhões de consorciados ativos. Em julho de 2026, eram 13,41 milhões. São 5,2 milhões de pessoas a mais em quatro anos e meio, uma alta de 63%.

O ritmo continua forte em 2026. De janeiro a julho, segundo a ABAC:

  • 3,31 milhões de cotas vendidas, alta de 14,9% sobre o mesmo período de 2025;
  • R$ 331,6 bilhões em créditos comercializados, alta de 22,9%;
  • 13,41 milhões de participantes ativos em julho, o maior número da série.

O imóvel puxou a fila

Entre todos os segmentos, o de imóveis foi o que mais chamou atenção. Os dados da ABAC até julho de 2026 mostram:

  • 3,32 milhões de participantes em consórcio de imóvel, contra 2,45 milhões em julho de 2025. Alta de 35,5% em 12 meses;
  • 979,67 mil cotas vendidas de janeiro a julho, alta de 40,8%;
  • R$ 195,11 bilhões em créditos comercializados no período, alta de 33,1%.

Com isso, o consórcio de imóvel passou a ser o segundo maior segmento do sistema, à frente das motocicletas e atrás apenas dos veículos leves. No balanço do primeiro semestre, ele já tinha sido o que mais cresceu entre todos os segmentos, com alta de 41,9% sobre o mesmo período de 2025.

Por que tanta gente está migrando

A resposta curta é crédito caro.

A taxa Selic ficou em 15% ao ano por dez meses seguidos, de junho de 2025 a março de 2026, o patamar mais alto em quase duas décadas. Desde então, o Banco Central começou a reduzir a taxa aos poucos. Na reunião de 16 de setembro de 2026, o Copom cortou mais 0,25 ponto, e a Selic chegou a 13,75% ao ano. Ainda é um juro alto. (Se quiser entender como a Selic chega até a tua parcela, a gente explicou em Selic: o que ela é, de verdade, e o que ela faz com o seu dinheiro.)

Esse juro chega na ponta. No financiamento imobiliário com recursos da poupança (SBPE), a Caixa praticava em março de 2026 taxas a partir de TR + 10,99% ao ano, com prazo de até 420 meses. Em financiamento de veículo, o custo costuma ser ainda maior.

O consórcio funciona de outro jeito. Não existe juro. O participante paga o valor do bem dividido pelo prazo, mais uma taxa de administração diluída nas parcelas, e o crédito é corrigido anualmente por um índice (como INCC ou IPCA) para acompanhar o preço do bem. Quando o crédito caro aperta, essa diferença de estrutura pesa na decisão.

Uma conta para enxergar a diferença

Para visualizar, veja uma simulação ilustrativa com um crédito de R$ 300 mil:

Financiamento (SAC) Consórcio
Premissa 10,99% ao ano, 420 meses Taxa de administração de 20%, 220 meses
Primeira parcela cerca de R$ 3.332 cerca de R$ 1.636
Total pago no contrato cerca de R$ 851 mil cerca de R$ 360 mil

Simulação ilustrativa, não é proposta. Não considera TR, seguros e tarifas no financiamento, nem a correção anual do crédito, fundo de reserva e seguro no consórcio. Os valores reais dependem da instituição, do plano e do teu perfil.

A diferença é grande, mas não conta a história inteira. O financiamento entrega o imóvel agora. O consórcio exige que tu espere a contemplação, por sorteio ou por lance. É aqui que entra o planejamento. (Sobre olhar o custo total e não só a parcela, vale ler A menor parcela é a mais cara.)

Quando o consórcio faz sentido (e quando não faz)

Costuma fazer sentido quando:

  • tu não precisa do bem imediatamente e consegue planejar a compra para os próximos meses ou anos;
  • tu quer comprar um segundo imóvel, investir ou trocar de carro sem pagar juro;
  • tu tem algum recurso guardado (ou FGTS, no caso de imóvel) para usar como lance e antecipar a contemplação;
  • a parcela do financiamento não cabe no teu orçamento, mas a do consórcio cabe.

Costuma não ser a melhor escolha quando:

  • tu precisa do imóvel ou do carro agora, sem margem para esperar;
  • tu está pagando aluguel alto e não tem reserva para lance;
  • a decisão está sendo tomada só pela parcela menor, sem olhar prazo, correção e estratégia.

Um ponto importante: ninguém pode garantir a data da contemplação. Desconfie de quem promete carta liberada em prazo certo antes do sorteio ou do lance. Consórcio sério é regulado pelo Banco Central e funciona com regras claras em contrato.

Consórcio é para quem se organiza

O crescimento do consórcio trouxe mais opções e também mais confusão. Planos com meia parcela, lance embutido, lance fixo, diferentes índices de correção e administradoras com perfis de grupo muito diferentes entre si. Com a estratégia de lance certa e uma análise correta dos grupos, dá para potencializar o crédito e encurtar o caminho até a contemplação.

Na Stoia, a gente compara consórcio e financiamento lado a lado para o teu cenário, olha os grupos das administradoras parceiras e monta a estratégia de lance antes de tu assinar qualquer coisa.

Quer saber se o consórcio faz sentido para ti? Fala com a Stoia pelo WhatsApp e a gente simula o teu caso.


Próximo passo: para ver quanto fica a parcela em cada faixa de crédito, a página de consórcio imobiliário tem simulador e as faixas mais procuradas.

Fontes

Conteúdo informativo. Condições, taxas e regras variam por instituição e mudam ao longo do tempo. Nada aqui é oferta ou promessa de contemplação.

Revisado por Lucas Andara, Gerente Comercial da Stoia Assessoria Financeira. Certificações CPA-10 e ANEPS.

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Stoia Assessoria Financeira

Assessoria de crédito com mais de 7 anos de atuação e acesso a mais de 20 instituições financeiras. Equipe com certificação CPA-10 e habilitação de correspondente bancário (ANEPS). Porto Alegre/RS, atendimento em todo o Brasil.

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